Da
janela lateral do quarto de dormir, vejo minha infância entre brincadeiras,
entre risos de menina boba e esperta, entre sonhos infantis que com o passar do
tempo, vão se apagando da memória, mas também vejo pensamentos e lembranças que
comigo sempre vão seguir. Vejo lágrimas a molhar meu rosto juvenil.
Da
janela lateral do quarto de dormir vejo uma cidade que apesar de simples e
pequena, se torna o mundo que desejamos com anseio conquistar. Vejo flores
desabrochando ao amanhecer e ao fim da tarde murchando, vejo pequenos
passarinhos a cantar e a brigar por um farelo qualquer esquecido no chão, vejo
até um gato se preparando para entrar na brincadeira.
Vejo
árvores chorando e suplicando por espaço nesse mundo cada vez mais feito de
tijolo. Vejo chuvas das mais frágeis, às mais enfurecidas, que com seus raios
pretendem tocar o solo da terra, lembro-me com carinho dela caindo e tocando o
meu rosto, lavando não só meu corpo, mas também minha alma.
Vejo
paisagens embaçadas que meus olhos cheios de lágrimas insistem em olhar. Vejo o
grande amor dos meus sonhos chegando e me convidando a não parar de sonhar.
E
cada vez que da janela eu olhar um sorriso de meu rosto irá desabrochar e
novamente lembranças em minha mente irão se formar.
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